Política Industrial no Brasil: Vamos Fazer Diferente?

Faço a sugestão de que leiam o artigo da Revista Exame clicando na notícia abaixo.

Trabalhador industrial brasileiro ganha menos do que um chinês

Portal Exame – 02/03/17

Em sua essência o artigo mostra alguns pontos muito interessantes tais como:

“A China não é mais um país de baixo custo ou um destino majoritário de transferência de produção para quem quer apenas gerar margem com baixa remuneração da força de trabalho”.

“Quem pensaria há uma década atrás que o Brasil seria hoje um dos países de mais alto custo para a manufatura e que o México seria mais barato que a China?”.

No Brasil trabalhadores foram incorporados ao mercado, o câmbio valorizou e o salário mínimo subiu, mas a falta de produtividade para sustentar os ganhos eventualmente ficou evidente.

Já na China, o processo pode continuar na medida em que o país segue tendo sucesso em incrementar o componente tecnológico dos produtos produzidos em seu território como mostra por exemplo a alta no número de patentes registradas.

Enfim, há muito o que fazer para tornar o Brasil realmente competitivo e haverá muitas oportunidades a serem aproveitadas em nosso país quanto à melhoria de produtividade, principalmente via automação.

O conceito simplista de dizer que o produto fabricado na Ásia (para não dizer especificamente na China) é mais barato porque lá a mão de obra é “escrava” não serve mais como argumento por parte de potenciais usuários de equipamentos importados para criar uma expectativa de preço baixo e qualidade inferiores, muito menos de fabricantes concorrentes nacionais para justificar o porquê suas máquinas possuem valor elevado.

A tecnologia agregada nos equipamentos fabricados na Ásia, incluindo China e Taiwan, sem dúvida é muito superior aos aqui fabricados devido a utilização de automação em larga escala e equipamentos dos melhores existentes no mundo, os quais permitem conferir aos produtos fabricados nestes países a qualidade necessária para que suas máquinas possam ser exportadas para o mundo inteiro, incluindo países tradicionalmente exportadores de tecnologia em máquinas industriais.

Os empresários e fabricantes brasileiros de bens de capital deveriam trilhar o mesmo caminho adotado pelos países asiáticos. Estes fizeram cooperações tecnológicas, aprenderam a fabricar com produtividade e qualidade cada vez maiores, melhoraram a qualificação da mão de obra empregada na fabricação de produtos com tecnologia agregada e, produzindo em escala cada vez mais crescente, passaram a ter preços muito competitivos para inundar o mundo inteiro com seus produtos, fossem eles máquinas ou o produto manufaturado que as mesmas produzem.

Entretanto, um ponto deve ser considerado básico na busca da melhoria em competitividade: a abertura de mercado para disponibilizar em nosso país os meios de produção que permitam aos nossos industriais ter acesso ao que de mais moderno e evoluído possa existir para produzir suas máquinas e itens manufaturados. Se o custo da aquisição destas tecnologias for dentro de patamares considerados internacionalmente como acessíveis, o industrial brasileiro fará a diferença, pois competência, criatividade e flexibilidade não lhe faltam.

Mas há a necessidade de apoio e incentivo, seja na forma de uma política industrial séria e que preveja regras típicas de economias de mercado praticadas pelos países mais desenvolvidos – na forma de alíquotas de importação baixas, agilidade nos trâmites alfandegários e redução drástica dos custos portuários e de logística – ou no oferecimento de financiamentos baratos para que a indústria modernize seu parque de máquinas adquirindo um equipamento nacional ou importado. A escolha deverá recair em quem oferece a melhor solução, não só de preço mas de prazo e de valor agregado (tecnologia).

Governo, entidades de classe e empresários locais devem buscar um objetivo comum e que irá beneficiar o país: trazer de volta a manufatura ao Brasil. Como fazer isso? Ao invés de importar os itens já fabricados no exterior – sejam eles auto peças, utilidades domésticas em plástico, eletrônicos, brinquedos, móveis, etc. – devemos todos nos preocupar em equipar nossas indústrias para fabricar no Brasil esses itens com custos competitivos e qualidade assegurada.

As indústrias precisarão de meios de produção para tal. Se esse equipamento tiver condições de ser fornecido domesticamente, ótimo. Se o fabricante local não tiver a qualidade e modernização requeridos pelo produto final ou seu prazo está muito longo, o equipamento importado será naturalmente a melhor opção. No final todos sairão ganhando com a criação de empregos e aumento da atividade econômica, resultando em consequências naturais que atingirão a própria população brasileira.

Que tal fazer diferente? Protecionismo e miopia econômica nos levaram ao ponto em que estamos hoje. Mudar é preciso, diria até essencial para continuar existindo.

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